Facebook cessa o reconhecimento facial para usuários na Europa

A crescente utilização de tecnologias de reconhecimento facial em tecnologias de segurança pública e de vigilância está fazendo com que aumente o risco para aqueles que aceitam a utilização destas tecnologias para fins aparentemente inofensivos, como a identificação automática de fotografias em redes sociais. Isto ficou claro com o anúncio pela empresa Facebook de que irá cessar a operação do seu serviço de reconhecimento facial para os seus usuários na Europa - inclusive apagando os seus dados já coletados -, em seguida à intensa pressão iniciada com as investigações e pesquisas conduzidas pela autoridade de proteção de dados da Irlanda. Para os reguladores da Europa e de outras regiões, houve falha da empresa ao não solicitar de forma clara e inequívoca o consentimento dos seus usuários para a ativação do serviço. Um outro ponto continuamente questionado é a legitimidade do gigantesco banco de dados com informações biométricas referentes às faces dos usuários do Facebook, algo que, aventa-se, pode ser muito útil para diversas aplicações ligadas à segurança, vigilância e autenticação de usuários. Um fato é certo desde já: muitos dos usuários do Facebook que se encontram fora da Europa dispõem, hoje, de uma expectativa reduzida de privacidade em relação a seus dados biométricos coletados pela rede. Esta não é uma situação que tenda a persistir por muito tempo e, a depender de seu desenrolar, pode significar a primeira constatação clara da sensibilidade que envolve a utilização comercial massiva de dados biométricos.