Google unifica, unilateralmente, as políticas de privacidade de dois bilhões de usuários

A partir de hoje, primeiro de março de 2012, entra em vigor a unificação das políticas de privacidade de mais de 60 produtos da Google. Esta unificação causou atrito estridentes em diversos setores. O chairman da FTC (Federal Trade Comission), Jon Leibowitz, afirmou que os usuários da Google encontram-se diante de uma "escolha brutal". No Japão, os ministérios do Interior e Comunicações e da Economia, Comércio e Indústria notificaram a empresa no sentido de que as novas políticas devem respeitar as leis internas. Na Europa, a CNIL (autoridade francesa de proteção de dados), após ter sido escolhida para liderar a posição das autoridades européias de proteção de dados neste tema, escreveu direitamente ao CEO da Google, Larry Page, solicitando a suspensão da implementação da nova política unificada de privacidade. O Transatlantic Consumer Dialogue, em nome de mais de 50 entidades não-governamentais de proteção à privacidade e do consumidor, escreveu igualmente ao CEO da Google, solicitando também a suspensão da implementação da nova política unificada de privacidade. Em outros países, diversas outras vozes de reguladores e consumidores levantaram-se, contestando a medida. Na Inglaterra, um cidadão está processando a Google com base na legislação de proteção ao consumidor, exigindo a devolução das £400 que pagou em seu aparelho celular Android (um HTC Desire), alegando que a mudança unilateral realizada pela Google afeta todos os usuários do sistema operacional Android e que ele, que não concorda com as mudanças, será forçado a comprar um novo aparelho. A empresa anunciou publicamente e antecipadamente sua intenção, ressaltando que a unificação traria maior clareza aos usuários quanto à utilização de seus dados pessoais pela empresa. Verdade é, porém, que tal unificação é igualmente capaz de provocar um verdadeiro "curto-circuito" entre os dados pessoais armazenados pelos diversos produtos da Google, facilitando o intercâmbio de dados pessoais entre as diversas aplicações (somente para dar um exemplo, entre o mecanismo de busca e o YouTube), que apontarão todas para um único banco de dados que compreenderá vários aspectos do relacionamento do usuário com os diversos produtos. Desta forma, cresce a possibilidade da empresa obter um perfil mais agudo sobre cada um dos seus usuários, de forma que estes não poderiam prever anteriormente. Esta mudança drástica na expectativa dos usuários quanto à utilização dos seus dados é um dos argumentos levantados para questionar as motivações da nova política da Google, fazendo com que diversas autoridades tenham contestado a medida como potencialmente contrária às normas sobre proteção de dados.