Geolocalização e Internet Móvel

Acompanhando os avanços da internet móvel, discute-se atualmente os rumos da privacidade a partir da disseminação de serviços de geolocalização em aplicativos e redes sociais. Através dos serviços de geolocalização, os usuários de internet móvel banda larga, que correspondem a um universo crescente de 940 milhões de pessoas, conforme pesquisa recente da International Telecommunications Union, são motivados a não somente tomar ciência dos afazeres alheios mas a saber onde e o que está acontecendo, passando a interagir ainda mais com seu entorno. Apesar do fomento das redes sociais a uma exposição cada vez maior por parte do usuário, há que se ter cautela em relação à exposição de dados que podem assumir características sensíveis, como aqueles relativos à sua própria localização, levando em conta os potenciais usos indesejados que podem surgir a partir de tais serviços. Apenas como exemplo, podemos citar sites como  "Please Rob Me" (hoje descontinuado) ou o "I can stalk U", que ficaram famosos ao afirmarem com clareza o óbvio: que as pessoas que divulgam de forma aberta seus dados de geolocalização nas redes sociais em tempo real quase certamente não estão, naquele momento, em suas casas - facilitando o trabalho de furto residencial, por exemplo. Um passo mais largo rumo ao total disclosure em relação à geolocalização foi dado pelo recém-criado aplicativo "Creepy", que traça trajetos completos de uma pessoa a partir de dados públicos de localização, contidos em fotos e mensagens que ela tenha postado nos sites Flickr e Twitter, fornecendo a exata localização do usuário, bem como a possibilidade de determinar seus hábitos e trajetos habituais.
Muitas redes sociais vem sugerindo aos seus usuários, de forma mais ou menos sutil, que a geolocalização é indispensavel à sua perpetuação no mercado. Percebe-se hoje uma forte movimentação de redes sociais como Twitter e Facebook no sentido de investirem em ferramentas próprias de geolocalização, incentivando novos hábitos e mais exposição nas redes sociais.
Conscientes dos novos anseios do mercado e da comunidade virtual, trata-se de uma boa oportunidade para verificar se o mercado passará a tratar desta nova categoria de dados pessoais com o cuidado e transparência devidos.
foto: (cc) Zoolcar9