Google suspende contas de usuários do Google+ por não admitir pseudônimos

A introdução do Google+ marcou a nova investida da empresa na área das redes sociais, e está também marcando uma nova postura da empresa em relação à administração da identidade de seus usuários. A identificação dos usuários neste novo serviço tem importância capital para a empresa - a ponto que muitos usuários vêm tendo suas contas e acesso a serviços da empresa suspensos. O motivo destas suspensões é a utilização de nomes de login não "aprovados" pela Google para o acesso a seus serviços, justamente por não terem ligação literal com a real identidade de uma pessoa. A companhia, aparentemente, vem tratando estes casos como de violações aos seus Termos de Serviço (ou ToS, Terms of Service, como são referidos), que, para diversos serviços, não permitem a utilização de pseudônimos para o acesso. Esta é uma solução bastante clara e simples, ainda mais se contemporizada pela lembrança do caráter voluntário da adesão com lembranças de que:
"Caso você não concorde com o serviço da forma como ele é ofertado, basta não utilizá-lo". "Você pode abandonar o serviço quando quiser" "O G+ é completamente opcional"
A questão, no entanto, não é tão simples. Como bem ponderou Cory Doctrow, há vários e bons motivos para discutir e criticar serviços que não são, de forma alguma, compulsórios. Além disso, a ilação que pode existir entre a utilização de uma única identidade real na Internet e uma utilização pretensamente mais "civilizada" da rede não parece, por si só, preponderar sobre uma outra motivação desta política, que é o fato de que que estas identidades, assim concentradas, renderão muito mais ao serem vendidas ou colocadas a ponto de gerar alguma forma de lucro.. Empresas com um alto grau de participação e penetração no mercado têm responsabilidades proporcionais à parcela de usuários e do mercado que suas ações e escolhas podem afetar. E, ainda, é fato que muitos usuários administram diferentes contextos de suas vidas com identidades virtuais diferentes. Algumas delas podem até apontar para um mesmo nome real; outras não. Esta fragmentação da identidade virtual têm servido, tradicionalmente, como uma forma de administração pela própria pessoa de sua persona digital, que assim será capaz de agir com maior liberdade. A nova postura da Google em relação à identidade de seus usuários deve ser acompanhada de perto.