Os vinte princípios da privacidade que não lhe ensinam na escola

Versão 1.0, de agosto de 2012
Por Simon Davies, via The Privacy Surgeon
PRINCÍPIOS GERAIS 1. Organizações responsáveis descrevem a privacidade como um "direito", as organizações desinformadas falam dela como um "valor", já os maus elementos encaram-na como um "interesse". 2. A maioria das pessoas no poder somente apoia o direito à privacidade quando está prestes a ser vítima de algum escândalo. 3. O surgimento de conflitos entre privacidade e liberdade de informação cresce proporcionalmente ao número de pessoas públicas que já foram pegas em situações constrangedoras. 4. A ausência de uma definição única de privacidade comprova a sua universalidade, não sua fragilidade. Ninguém nunca fez, por exemplo, pouco caso da liberdade por ela ter várias definições. 5. A pronúncia exata da palavra "privacidade" é muito menos importante do que a quantidade de saliva que você expele quando a profere (nota: não há uma pronúncia uniforme da palavra 'privacidade' entre aqueles de língua inglesa). CRÍTICA DA PRIVACIDADE 6. Somente os hipócritas e os autodeclarados críticos da privacidade podem afirmar, honestamente, que não se importam com a privacidade. 7. Quem afirmar que a privacidade é um conceito da classe média ocidental nunca leu a Bíblia ou o Alcorão Sagrado – e certamente nunca tentou entrar em uma favela sem ser convidado . 8. Se alguém precisa lhe recordar a razão da privacidade ser importante, experimente imaginar ter deixado acidentalmente o histórico médico do seu filho em um ônibus. 9. As grandes corporações contestam as legislações que tratam de privacidade pelo fato de serem "caras e complicadas", justamente porque elas prefeririam muito ter, em seu lugar, regulamentações caras e complicadas sobre pirataria. 10. As pessoas que alegam não ter nada a esconder geralmente têm números de telefone não listados. ORGANISMOS PÚBLICOS 11. O nível de ameaça de privacidade alcança alerta vermelho sempre que um governo afirma pretender "modernizar" as proteções de privacidade. 12. Sempre que um governo fala sobre a necessidade de equilíbrio entre privacidade e interesse público, normalmente o que procura é uma forma de “equilíbrio” que debilite a privacidade. 13. O arqui-inimigo da efetiva aplicação da lei e de uma segurança nacional robusta é a ausência de mecanismos de controle dos atos governamentais, não a privacidade. 14. A ameaça à privacidade representada por bancos de dados governamentais é inversamente proporcional à quantidade de justificativas utilizadas para justificá-las. 15. Com raras exceções, quanto mais um governo afirma o quanto valoriza a sua privacidade, menos ele realmente se importa com ela. EMPRESAS 16. “Aprimorar a experiência do usuário” é um eufemismo para vigilância exacerbada sobre os clientes. 17. Instituir normas de privacidade no setor de vigilância é como desenvolver procedimentos de saúde e segurança em uma câmara de execução. 18. A ameaça geral à privacidade que uma empresa representa é diretamente proporcional à sua dependência na monetização de informações pessoais. DESIGN 19. O problema da "Privacidade por Design" é que ela envolve muita retórica sobre privacidade e tem muito pouco foco prático no design. 20. Uma verdadeira proteção de privacidade surgirá apenas quando os engenheiros atingirem o mesmo nível salarial dos advogados.