Participação Remota no IGF

Trinta e três hubs foram organizados para o IGF 2010, em Vilnius, possibilitando a participação remota de mais de 600 pessoas A idéia de colocar em prática a participação remota no Fórum de Governança da Internet surgiu em 2007, no processo preparatório para o IGF no Brasil. O Mistério da Cultura, por meio do Cultura Digital, havia criado uma plataforma de chat para que as pessoas assistindo ao webcast do IGF pudessem enviar comentários e perguntas. Esse chat seria exibido nos telões durante as sessões do IGF Rio. No último momento, a exibição do chat foi suspensa, devido a receios de que comentários sobre questões sensíveis fossem postados. Isso causou grande decepção e desmobilização do grupo à frente dessa iniciativa. Em 2008, a DiploFoundation criou um grupo de discussão online sobre votação eletrônica e democracia eletrônica, iniciativa que acabou incentivando um grupo de pessoas ligadas à Diplo a retomar os esforços para incentivar a participação remota no IGF. Criou-se um Grupo de Trabalho para a Participação Remota (Remote Participation Working Group - RPWG), especialmente com esse propósito. Após estudar diversas plataformas e modelos de participação remota em outras conferências, o RPWG encaminhou ao Secretariado uma proposta de participação remota no IGF, baseada no incentivo à criação de hubs do IGF. Os hubs são encontros locais, organizados por voluntários, que acontecem em paralelo ao IGF. Pessoas interessadas se reúnem nos hubs para assistir juntas ao webcast do IGF e podem mandar perguntas que serão respondidas pelos painelistas, presentes no evento. Os hubs podem escolher quais sessões querem assistir, e o webcast acaba servindo de ponto de partida para discussões sobre temas localmente relevantes. O modelo de criação dos hubs, proposto pelo RPWG, rapidamente ganhou a simpatia do Secretariado do IGF. [caption id="attachment_287" align="alignleft" width="238" caption="Plataforma usada para a participação remota no IGF 2008"][/caption] Durante as reuniões preparatórias para o IGF 2008, que aconteceu em Hyderabad, na Índia, tanto a Diplo como alguns membros do MAG (Multistakeholder Advisory Group) defenderam a efetiva implementação de mecanismos de participação remota. O país sede contratou uma empresa indiana que havia criado uma plataforma de interação, em software livre chamada DimDim, que serviu como canal para participação remota no IGF Hyderabad. Nove hubs foram organizados para o IGF 2008, nos seguintes países: Argentina, Brasil, Colômbia, Índia, Paquistão, Sérvia e três na Espanha. De acordo com pesquisas realizadas com os organizadores dos hubs, a experiência foi avaliada como bastante relevante, mas diversos pontos deveriam ser melhorados, sobretudo o webcast. Em 2009, no IGF Egito, a participação remota foi novamente colocada em prática, por meio de uma parceria entre o Secretariado, o país sede e o RPWG. A empresa Cisco também tornou-se parceira da iniciativa, oferecendo licença para a utilização de sua plataforma, o Webex. Treze hubs registraram-se, em todos os continentes. Esforços foram colocados em prática para melhorar a qualidade do webcast e treinamentos online foram oferecidos aos organizadores de hubs. Ao final do processo, os participantes remotos avaliaram a experiência como positiva e mais satisfatória que no ano anterior. Chegou-se a conclusão, porém, que os moderadores da participação remota – os voluntários que estão fisicamente presentes no IGF e são encarregados de encaminhar as perguntas aos painelistas – deveriam ser apontados com antecedência, para que pudessem receber treinamento na plataforma a ser utilizada. Em 2010 o Secretariado pediu aos organizadores de workshops que [caption id="attachment_285" align="alignright" width="260" caption="Plataforma usada para participação remota no IGF 2010 - foto: Derrick Cogburn"][/caption] apresentassem o nome de um voluntário para moderar a participação remota nas sessões por eles propostas. O esforço conjunto do Secretariado e do RPWG, que ofereceu treinamento online para todos os moderadores e para os organizadores de hubs, rendeu excelentes frutos. Trinta e três hubs foram organizados e mais de 600 pessoas participaram remotamente do IGF Vilnius, segundo estimativas do Secretariado. A participação remota foi avaliada como extremamente positiva, de acordo com questionários e relatórios. Segundo o organizador do hub em Bangladesh: “For most of the participants, this was an eye opening to IGF. We never had such an opportunity in the past to witness and participate in this forum. We all really appreciate IGF Secretariat for providing remote participation tools. Quality of video and audio exceeded our expectation. Though we all participated remotely, clarity of webcast made us feel we were in Vilnius”. Durante o IGF, o RPWG, a DiploFoundation e o Conselho da Europa organizaram um workshop para discutir a participação remota, sob três aspectos principais: a) o impacto da iniciativa na cena internacional; b) como potencializar a inclusão via participação remota; c) a relação com outros processos, como as iniciativas de participação remota em encontros regionais sobre governança da Internet. [caption id="attachment_290" align="aligncenter" width="300" caption="Workshop sobre participação remota no IGF Vilnius 2010"][/caption] Uma das principais conclusões do workshop foi que a participação remota no IGF é fundamental e tem passado por um processo incremental de aperfeiçoamento ao longo dos últimos anos. Para o próximo IGF, o objetivo principal do grupo deve ser a melhorar a qualidade da interação, para que os participantes à distância possam contribuir de maneira significativa na elaboração da agenda e nos resultados do encontro. Qualquer interessado em saber mais sobre a participação remota pode contatar o RPWG info@igfremote.info Alguns links úteis: Site do RPWG Lista de hubs registrados para o IGF Vilnius (2010) Vídeo produzido pelo hub no Brasil (2008) Vídeo produzido pelo hub no Peru (2009) Comunidade da DiploFoundation sobre participação remota