Relatoria LACIGF 12 - Sessão 4: Futuro da Governança da Internet / Apresentação do Estudo sobre o LACIGF & Microfone aberto - PARTE II – Perspectivas sobre o futuro do LACIGF (Keynote) + Microfone Aberto

A sessão Futuro da Governança da Internet / Apresentação de estudo sobre o LACIGF & Microfone aberto, moderada por Raúl Echeberría (Consultor, Uruguai), tratou da temática do futuro da governança da Internet. A sessão foi dividida em três momentos. Primeiro, foi a fala dos seis palestrantes na mesa sobre o tema do futuro da governança da Internet. O segundo momento foi a apresentação de um estudo com dados e sugestões para melhorar o modelo LACIGF, feito por Raúl Echeberría. No terceiro momento, houve um microfone aberto para intervenção pública sobre o futuro do LACIGF. Este relatório cobrirá a PARTE II - Perspectivas sobre o futuro do LACIGF (keynote) + Microfone Aberto, com um informe do relatório do LACIGF com dados e perspectivas sobre o evento e relatório do microfone aberto para intervenção pública.

Oscar Robles (LACNIC, Uruguai) começou apresentando um estudo realizado com o apoio institucional do Comitê do LACIGF. A intenção é que o LACIGF mantenha sua importância e capacidade de mudança. Portanto, surgiu a necessidade de uma análise ampla do evento, escutando às instituições e organizações que vêm se esforçando no LACIGF há muitos anos. O trabalho de fazer a pesquisa foi entregue a Raúl Echeberría, que coletou críticas, recomendações e outras opiniões. O LACNIC apoia a necessidade de fazer algo baseado nas recomendações enviadas para consolidar o evento como uma fonte de informação relevante e autorizada. Finalmente, Oscar Robles apresentou Raúl Echeberría, responsável por apresentar o estudo.

De acordo Raúl Echeberría, o estudo consistiu num documento traduzido para o português, espanhol e inglês, com participação formal de 157 pessoas em entrevistas pessoais, chamadas abertas ou enviando comentários. Não houve uma proposta inicial e todo o estudo do LACIGF foi construído pela participação pública. Houve uma apreciação muito positiva do que foi LACIGF a cada ano, mas é um consenso geral a necessidade de aumentar a relevância.

Algumas das conclusões foram:

Participação:

  • Maior necessidade de difusão do LACIGF;
  • Necessidade de fortalecer o espírito de colaboração do evento;
  • A necessidade de um espaço de comunicação que permita o trabalho conjunto a longo prazo;
  • Comunicação formal com os governos, que dizem que um dos problemas é a falta de convite. Uma das vantagens do NETmundial foi que o Brasil convidou formalmente a oficiais de todo o mundo e o LACIGF também pode fazê-lo;
  • Necessidade de sessões de alto nível ao início ou ao fim do evento.

Conteúdos:

  • Agendas mais centradas nos diversos problemas e realidade da região;
  • Diversidade no entendimento de que há países que se movem em diferentes velocidades. É preciso ser inteligente e promover agendas que contemplem e aproveitem o que é interessante para todos;
  • Importância de produzir resultados, no sentido de síntese da discussão. Entretanto, as pessoas desejam algo que possa contribuir em outro processo;
  • Compreender que o consenso não pode ser forçado em um espaço multissetorial;
  • Não há pedidos de mecanismos formais para forçar a negociação; 
  • Importância de não repetir o conteúdo para que as discussões avancem.

Formatos:

  • Formatos mais interativos e sessões divididas em grupos. Ao pedir outras opções,  há cada vez mais propostas para diminuir os formatos de painel e aumentar os debates com pessoas em diferentes posições ou sessões moderadas sem palestrantes ou motivando os oradores para as discussões;
  • Menos repetição de palestrantes e moderadores;.
  • Maior transparência ao selecionar palestrantes e moderadores.

Trabalho entre reuniões:

  • Necessidade de trabalho contínuo e focado;
  • Trabalhos virtuais, plataformas de colaboração online, melhor integração com outros fóruns, fazendo com que as principais discussões cheguem aos tomadores de decisões.

Estrutura:

  • Necessidade de visibilidade do Comitê LACIGF, com um maior papel de liderança, com o compromisso de todos os membros com o trabalho justo, e que os membros atuais tenham uma responsabilidade coletiva e compartilhada, já que existe um compromisso de todos os interessados; 
  • Clareza de papéis e responsabilidades do Comitê LACIGF, além de clareza dos critérios de eleição;
  • Criação de uma secretaria especializada para apoiar continuamente o evento;
  • Percepção de que hoje há uma visão favorável do LACNIC como uma secretaria, podendo o LACIGF fazer um modelo intermediário.

Financiamento:

  • Continuidade com o modelo de doação. Se for mais relevante para os grupos, mais pessoas irão querer investir;
  • Programa de associação.

Ademais, houve alguns comentários sobre a publicidade do evento e o fortalecimento institucional de programas como o Youth IGF. A conclusão final do relatório é que qualquer política pública só tem resultados efetivos e eficientes para Internet com a participação de múltiplos atores. Neste sentido, existe a necessidade de melhorar e expandir o modelo LACIGF na América Latina, que é um lugar ideal para os múltiplos atores cooperarem em igualdade de condições.

Durante o microfone aberto, houve intervenções de várias pessoas. Alfredo Velazco (Equador) parabenizou o relatório e perguntou sobre como incluir youtubers no contexto da governança, bem como sobre a interface e melhorias visuais para melhor incluir os participantes online. Sugeriu agregar um painel que mostre automaticamente os tweets do LACIGF. Thiago Tavares (CGI.br, Brasil) parabenizou o trabalho inclusivo do relatório, que examina e realiza claros esforços para desenvolver o LACIGF. Repensou a relevância do  evento quando se deu conta da vontade de mudança. Ele vê o LACIGF como um espaço importante para discutir temas que não são discutidos em outros ambientes, abarcando o lado técnico e o conteúdo da Internet. O comitê atual do programa é uma espécie de poder originário/constituinte, mas não há uma instituição brasileira participante e, por isso, pensa que é importante ampliar o comitê do programa, proporcionando uma participação mais democrática, já que há muitas entidades que poderiam contribuir. Luis Rejas (Bolívia) gostaria de entender qual a metodologia permitiu que o evento atual fosse um sucesso. Maria José gostaria de discutir a inclusão de várias classes sociais e idades para que o LACIGF não seja relegado a uma bolha elitista. Também gostaria de saber como incluir as pessoas e informá-las, para que todos possam participar. Andres Piazza (Desarrollo Digital, Argentina) acredita que a ideia da secretaria é muito boa e que necessita de investimento. Sugere uma contribuição dos participantes para isso. Ludwig Angel Valverde Botello (Instituto de Pesquisas em Ciências Políticas da Bolívia, Bolívia) gostaria de entender melhor as experiências positivas do LACIGF. Também pergunta sobre decisões vinculantes tomadas no evento para que o modelo da governança possa ter uma maior relevância. Juan Cayoja Cortez (UMSA, Bolívia) considera que é importante incluir os resultados dos fóruns da governança na criação de políticas públicas. A fim disso, ele gostaria de obter dados que sirvam como medidores para a implementação de políticas e pergunta se isso apenas pode ser feito alterando a estrutura dos fóruns. Bryan Montes (Setor privado) entende que é importante fortalecer os empreendedores e os que estão no final da atividade. Para ele, o espírito empreendedor fortalece tanto a economia como a sociedade civil e gostaria de ter visto mais empresas debatendo no fórum.

O moderador encerrou o painel convidando a todos a participarem do debate sobre o LACIGF e a melhoria do evento. Disse que não estava lá para responder a todos os comentários feitos no microfone aberto, mas que eles seriam tomados em consideração.

 

Outputs e outros links relevantes:

Sessão completa em: https://www.youtube.com/watch?v=NEixgkGamV8 

 

Por: Emanuella Ribeiro Halfeld Maciel (UFMG, Brasil), María Belén Pérez Roa (Paraguay), Jorge Enrique de Azevedo Tinoco (UFRN, Brasil), Carlos David Carrasco Muro (Observatorio del Gasto Fiscal, Chile)

Traduzido por: Isabelle Cristine Oliveira Ribeiro (UESB, Brasil)

Revisado por: Raysa Pamela Alanes Mercado (Las De Sistemas, Argentina)

Coordenação e edição: Nathalia Sautchuk Patrício (NIC.br, Brasil) y Guilherme Alves (Youth Observatory, Brasil)