Relatoria LACIGF 12 - Sessão 5: Digitalização e transformação produtiva: Mecanizando o desenvolvimento econômico através das TICs

A sessão começa com uma apresentação de Fernando Rojas (CEPAL), que abordou os estudos conduzidos pela CEPAL sobre os níveis de conectividade, digitalização dos processos de produção e as ações necessárias para a transição para a indústria 4.0 na região da América Latina e Caribe (ALC). O painelista apresentou gráficos qualitativos e quantitativos sobre a conectividade à Internet na ALC, falou sobre a importância de digitalizar os processos de produção, especialmente sobre o aumento da eficiência, da sustentabilidade e da competitividade econômica. Finalmente, abordou a necessidade de investir no desenvolvimento de capacidades (capacity building), fortalecer a transição entre as escolas e o trabalho; e equilibrar a relação oferta-demanda de mão de obra qualificada para a indústria 4.0. 

Dando continuidade, Verónica Arroyo (Access Now, Peru) falou sobre a necessidade de monitoramento por parte da sociedade civil para garantir que as novas tecnologias que são implementadas, como câmeras de vigilância, digitalização da burocracia governamental e identificações nacionais, realmente tenham intenções positivas. Segundo a painelista, cada nova narrativa de digitalização dirigida ao desenvolvimento (econômico, social, de cidades, etc.) deve ser avaliada se está de acordo com os direitos humanos, especialmente com o direito à privacidade. Ainda nesse contexto, Verónica defendeu a necessidade de regulações básicas para a digitalização dos processos de produção, a fim de facilitar a comunicação dentro dos países.

Pamela Gonzales (Bolívia TechHub, Bolívia) mencionou a importância de sensibilizar as empresas sobre as vantagens da digitalização. Ela disse que muitas empresas ainda não entendem a necessidade de investir em novas tecnologias e que as organizações em seu país estão comprometidas em apresentar soluções.

Finalmente, Juan Pablo Vial (Governo do Chile) falou da iniciativa do governo chileno para criar valor a partir de Big Data da área de astronomia. É um projeto dirigido pelo Observatório de Dados, com o objetivo de incluir o Chile na quarta revolução industrial. Ele defendeu que, ao armazenar dados astronômicos na nuvem, é possível fazer predições mais eficientes, que teriam impactos positivos em várias áreas, como na saúde, na energia, no transporte, na mineração e, principalmente, no desenvolvimento de Inteligência Artificial, que requer muitos dados de alta qualidade. Portanto, o país espera em poucos anos concentrar 70% da capacidade de observação astronômica do mundo.

Na sessão de perguntas, foram discutidas a dependência da América Latina e do Caribe em relação ao armazenamento de dados em servidores de empresas internacionais, como o Google (ciber colonialismo). Diante disso, os painelistas comentaram a necessidade de garantir políticas de privacidade e desenvolver um marco regional de políticas de dados. Também se perguntou em que medida deveríamos digitalizar as cidades, considerando os riscos de ataques de pirataria e a queda dos serviços básicos; qual é a probabilidade de que os dados pessoais proporcionados aos serviços públicos, como o transporte público ou privados, como Facebook, sejam apropriados, e se é possível que as pessoas se neguem a entregá-los.

A moderadora Alejandra Erramuspe (Uruguai) mencionou que, na Espanha, é reconhecido o direito de ser desconectado. Os painelistas falaram sobre a importância de cifrar esses dados confidenciais e garantir que as empresas que os utilizam informem às pessoas como os estão manipulando. Isso porque, afinal, tais dados podem gerar um perfil da pessoa. Ainda assim, foi argumentado que não se deve proibir o uso de dados biométricos, mas saber como usá-los.

Também, o público questionou como a CEPAL está assessorando os governos. Fernando Rojas respondeu que existem algumas iniciativas específicas com governos, como o do Peru, na área de exportação agrícola. E, quanto ao trabalho na indústria 4.0, se discutiu como os trabalhadores integrados com a revolução 4.0 estão assegurados frente à digitalização dos processos produtivos e que impacto teriam as relações trabalhistas na brecha racial e de gênero no futuro. Fernando Rojas mencionou que a CEPAL realiza estudos para analisar o impacto da aparição de novos tipos de tarefas, como aplicativos de entrega, sobre os direitos dos trabalhadores. No entanto, não há resultado desses estudos. Por fim, Fernando enfatizou que o salto para o setor quaternário envolve a articulação conjunta de vários fatores, como educação, capacitação de pessoas que já estão no mercado de trabalho e disseminação da inovação.

A rodada final de comentários abordou a importância de fortalecer o capital humano de cada país e gerar valor a partir de capacidades endógenas; os esforços da CEPAL para gerenciar dados transfronteiriços, garantindo direitos de privacidade; a necessidade de colaboração entre vários setores, especialmente a participação feminina; e estabelecer uma relação de confiança entre as pessoas e as novas tecnologias que estão surgindo.

Outputs e outros links relevantes:

Sessão completa em: https://youtu.be/_SVukPHVUPk

 

Por: David Paredes Abanto (DIDEPTI SRL, Perú), Giovana Pertuzzatti Rossatto (Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil)

Traduzido por: Gabriel Arquelau Pimenta Rodrigues (UnB, Brasil)

Revisado por: María Belén Pérez Roa (Paraguay)

Coordenação e edição: Nathalia Sautchuk Patrício (NIC.br, Brasil) e Guilherme Alves (Youth Observatory, Brasil)