As mulheres e a Internet

Quais foram e quais são as mulheres importantes para a história da Internet? Como sempre conhecemos vários homens que desempenharam papéis proeminentes, como Vint Cerf e Tim Berners-Lee, mas raramente as mulheres aparecem em destaque na história das áreas tecnológicas.

 
Sabemos que, atualmente nessas áreas, o número de mulheres é pequeno e, em algumas delas, vem decaindo.

É por que as mulheres não tem "jeito" para atuar em tais áreas? Não! A quantidade de mulheres tem a ver com o pouco conhecimento que se tem do importante papel que elas desempenham em tal setor da sociedade. Tem a ver com o papel que os exemplos; com ter alguém em quem se espelhar. Ou seja, é importante conhecer mulheres bem sucedidas nas áreas tecnológicas para que outras mulheres, desde cedo, tenham em si estimulado o desejo de seguir nessas áreas; para que elas tenham em que se inspirar; para que vejam que é possível; e que têm sim "jeito para coisa".
 
Fazendo uma busca por mulheres na história da Internet, conheci o Internet Hall of Fame, que é um programa de reconhecimento a pessoas cujas contribuições tornaram a Internet uma ferramenta espetacular de comunicação, conhecimento e de inclusão social em todo o mundo. Esse programa foi lançado em 2012 pela Internet Society. Aí, encontrei mulheres inspiradoras que participaram e ainda participam dessa história. Para dar um pouco mais de visibilidade a estas mulheres, quero aqui compartilhar algumas de suas histórias com a intenção de inspirar mais meninas e mulheres a serem as próximas protagonistas dessa história.

Elizabeth Feinler

Elizabeth Feinler foi uma pioneira na área da Internet. Iniciou, primeiramente gerenciando a ARPANET e depois o Defense Data Network (DDN), que era um NIC (Network Information Center) sob os cuidados do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Ambas as primeiras redes foram os precursores da Internet de hoje.
 
 
O grupo que ela comandava desenvolveu os primeiros servidores de "páginas amarelas" bem como o primeiro servidor WHOIS, que serve para consultar informações de contato e DNS sobre um nome de domínio, um endereço IP ou um AS (Sistema Autônomo).
 
Seu grupo gerenciou o registro de nomes e domínios da Internet de 1972 até 1989. Como parte deste esforço, ela e seu grupo desenvolveram o esquema de atribuição de nomes de domínio de nível superior (.com, .edu, .gov, .mil, .org, and .net), que ainda estão em uso hoje.
 
Ela foi uma das fundadoras do Internet Engineering Task Force (IETF).
 
Em 2012, ela entrou para Internet Hall of Fame pelo seu papel de Pioneira. Para quem quiser saber mais sobre Elisabeth, veja em: Internet Hall of Fame, Wikipedia e Wired.
 
 

Nancy Hafkin

 
Nancy Hafkin é uma pioneira da área das telecomunicações e informação na África, tendo impulsionado o Sistema Pan Africano de Desenvolvimento da Informação (PADIS) da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África (UNECA), entre os anos de 1987 e 1997.
 
Nancy Hafkin desempenhou um papel importante na facilitação do trabalho da Associação para o Progresso das Comunicações (APC) de permitir a conectividade através de e-mail em mais de 10 países, durante o início de 1990, antes que a conectividade completa por da Internet se tornasse realidade na maior parte da África.
 
Depois que se aposentou da UNECA, ela vem se dedicando a questão do acesso à Internet pelas mulheres. Ela percebeu ao longo dos anos em que trabalha na área que, mesmo em países desenvolvidos, a taxa de mulheres que fazem uso da Internet são mais baixas do que de homens e que, essas taxas, não estão relacionadas ao nível de desenvolvimento do país. Para ela, isso tem a ver com o fato da tecnologia não ser pensada para as necessidades das mulheres. Também tem se preocupado com os índices alarmantes de mulheres em programas de engenharia da computação.
 
Em 2012, ela entrou no Internet Hall of Fame por sua atuação como "Global Connector". Para saber mais sobre ela, veja em Internet Hall of Fame, Wikipedia e Wired.
 
 

Kanchana Kanchanasut

Kanchana Kanchanasut levou a Internet para a Tailândia e esteve envolvida ativamente em muitas iniciativas de conexão Internet em outros países do sudeste asiático, defendendo a ideia do e-mail, e mais tarde da Internet, na região na década de 1980.
 
Ela dirige o Internet Education and Research Laboratory do Asian Institute of Technology na Tailândia, onde é professora de Ciência da Computação na Escola de Engenharia e Tecnologia.
 
 
Ela criou a primeira rede experimental de pesquisa e educação em seu país em 1988, conectando cinco universidades na Tailândia, através de conexões dial-up com a Rede de Pesquisa e Acadêmica da Austrália. Ela também registrou o domínio TH. e tem sido a sua administradora desde 1988. Em 1991, os esforços de Kanchana levou à primeira linha alugada com conexão TCP / IP para a rede global.
 
Ela entrou para Internet Hall of Fame em 2013 por seu papel de pioneira. Saiba mais sobre Kanchana em Internet Hall of Fame.
 

Karen Banks

Karen Banks é uma pioneira na área de redes que trabalha com TIC e suas aplicações para a mudança social desde 1990. De 1990 a 1997, ela manteve um gateway internacional chamado "GnFido" na GreenNet, um provedor sem fins lucrativos em Londres, e ajudou a fundar a Associação para o Progresso das Comunicações (APC), uma organização internacional sem fins lucrativos dedicada a criar e manter uma Internet livre e aberta.

Trabalhando com mais de 60 parceiros na África, Sul asiático, e Leste Europeu, o gateway GnFifo usava a tecnologia "store-and-forward", que, em muitos casos, era o meio eletrônico mais barato e eficiente para a comunicação de milhares de indivíduos, ONGs, acadêmicos, pesquisadores, universidades e departamentos governamentais.


Em 1993, com outras colegas da APC, ela fundou o Programa Women's Networking Support Programme (WNSP), que liderou uma equipe de 40 mulheres durante a UN's Fourth World Conference on Women, em 1995. Durante o evento foi fornecido acesso a e-mail e à web para mais de 10.000 delegados, alguns dos quais nunca antes tinham enviado um e-mail ou visto uma página web. A APC WNSP, que Karen coordenou de 1996 a 2004, é pioneira no uso das TICs para o empoderamento das mulheres em todo o mundo. Agora o programa, chamado Women's Rights Programme, está na vanguarda do movimento para garantir que as grandes potencialidades das TIC estejam acessíveis às mulheres, ajudando na eliminação da pobreza e da violência contra as mulheres, superando o isolamento das mulheres, dando às mulheres uma voz, melhorando a governança e avançando na equidade entre gêneros.

Karen entrou no Internet Hall of Fame em 2013 por ser uma "Global Connector". Mais informações em Internet Hall of Fame e Wiki da ICANN.
 

Hedy Lamarr

Nasceu em 1914 na Áustria e foi uma conhecida atriz de Hollywood na década de 1940, inclusive tendo estrelado o filme "Sansão e Dalila". Porém, sua maior contribuição está fora da área cinematográfica.
 
Durante a Segunda Guerra Mundial, ela se juntou ao compositor George Antheil e desenvolveram o conceito para ajudar a criar códigos com uma criptografia inquebrável para a comunicação da Marinha dos EUA, o que seria capaz de despistar radares nazistas.
 
O sistema permitia proteger comunicações sem fio ao variar aleatoriamente a frequência em que os sinais são transmitidos: o canal era mudado sem que o inimigo soubesse quais bandas poderia bloquear pra barrar a transmissão.
 
Em 1941, ela submeteu sua invenção ao Departamento de Guerra norte-americano, que o recusou. Em 1942, ela patentou a tecnologia. Porém, a tecnologia não foi utilizada até a década de 1960, quando foi provado que o sinal era mais forte quando transmitido em múltiplas frequências. Isso possibilitou diversas formas de comunicação wireless, como a telefonia celular – o conceito de frequências múltiplas aleatórias é o que faz com que as conversas por celular não fiquem cruzadas. Em 1962, quando a patente já havia expirado, a tecnologia passou a ser utilizada por tropas militares americanas em Cuba.
 
Mas foi só em 1997 que o papel de Hedy Lamarr no desenvolvimento das redes sem fio foi reconhecido quando ela ganha um prêmio da Electronic Frontier Foundation. Bluetooth e Wi-Fi não existiriam sem o sistema criado por ela.
 

Radia Perlman

Radia nasceu em 1951 e é uma cientista da computação formada no MIT. Se Vint Cerf é conhecido como o "pai da Internet", Radia Perlman faz jus ao título de "mãe da Internet" devido ao seu papel importante no desenvolvimento do protocolo Spanning-Tree (STP), que é essencial para o funcionamento atual da Internet.
 
No início da sua carreira acadêmica, trabalhando sob a supervisão do professor Seymour Papert, ela desenvolveu uma versão amigável às crianças da linguagem educacional LOGO, chamado TORTIS. Durante a pesquisa realizada entre 1974 e 1976, crianças, sendo as mais jovens com idades de 3 anos e meio, programaram em LOGO usando uma tartaruga. Radia é tida como uma pioneira no ensino de programação a crianças.
 
Ela também fez importantes contribuições à área de segurança da redes, que incluem modelos de confiança para a Infraestrutura de Chaves Públicas, expiração de dados e algoritmos distribuídos resilientes a participantes maliciosos.

Ela tem inúmeros livros publicados na área de redes e tem ministrado cursos na Universidade de Washington, Universidade de Harvard e MIT. Perlman detém mais de 100 patentes e já ganhou diversos prêmios, como o Internet Hall of Fame pelo seu papel de Pioneira, no ano de 2014. Para quem quiser saber mais sobre Radia Perlman, veja em: Internet Hall of Fame.

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Com essas duas mulheres inspiradoras da área da Internet, venho aqui convidar a todas e a todos ao debate quanto à situação atual das mulheres nas empresas das áreas de tecnologia, deixando mais o infográfico abaixo para reflexão.